Entrevista
Sentados em qualquer lugar, sorvendo de bebidas diferentes
que se intercalavam entre chimarrão e scotch,
pudemos escutar um pouco do som da Pimenta Buena e
aprofundar-nos sobre a influência de cada músico;
sua visão sobre o envolvimento da banda e sua
realidade precoce.
Embora não sejam tão jovens assim, entendem
que este seja o momento ideal para levar este projeto
adiante e desbravar o intelecto de um público
confuso pela invasão da mídia, e o consumo
excessivo de informação.
Acreditam que a Pimenta Buena possa ser uma nova maneira
de ver a música resgatando justamente isso
que se perdeu, sentar para escutar um vinil; observar
e sentir a natureza do som; e principalmente, se dar
ao luxo de possibilitar encontros como esses, onde
um grupo de amigos se propõe a conversar; debater
e intelectualizar um sentimento tão importante
como e música.
Coube a nós da assessoria de imprensa da banda
elaborar algumas perguntas que pudessem ser inetresantes
para o público e assim conhecer mais deste
grupo genuinamente latino americano.
Qual a
primeira lembrança que lhes vem a cabeça
quanto aos seus interesses musicais?
DEDÃO:
No meio de tanta MPB chegou minha mãe
com um disco do Eurytmics, lembrança remota.
Não havia escutado nada deles, apenas um single.
Embora tenha sido uma das primeiras músicas
pulsantes que escutei. E a escutei durante muitas
vezes no mesmo dia.
No mesmo período, sobrepondo às influências,
lembro de um disco muito marcante para mim. “Eu
nasci há dez mil anos atrás”,
do legendário Raul. “Canto para minha
morte”, a faixa na qual ele declama uma poesia,
com aquela melancolia que lembrava vir do tango. A
música é um tango. Música misteriosa.
Não sei se essas músicas retratam o
começo de tudo, mas sei que foram importantes
para mim. De certa forma, foi aí que despertou
meu interesse pela música.
VICENTE:
Exatamente não lembro, mas visto que desde
a época do ventre materno acompanhei a badalada
época dos anos 70 e suas influências
entre a música negra e os candombes uruguaios
de prontidão, acreditam que ao meu entorno,
se escutava todo esse tipo de música, que desde
criança costumava acompanhar nos Tablados de
carnaval que se espalhavam por toda Montevidéu
com suas obras teatrais, as Murgas.
ANDRÉ:
Lembro do primeiro disco que ganhei, ali foi o início,
Queblesquebom do Titãs, vinil. De aniversário,
cinco anos. Era fissurado pela faixa Miséria
e aquela introdução com os estrangeiros.
Falem um pouco
sobre suas influências pessoais no decorrer
dos tempos e sobre a Pimenta e sua identidade.
JOÃO:
Meu interesse pelo erudito, se manifestou desde cedo
em minha carreira musical, pelo simples fato de ter
começado a estudar o violão clássico
desde os quinze anos e até os dias de hoje.
Hoje posso dizer que estas influências agem
diretamente no meu trabalho e trajetória musical.
Deve-se procurar o caminho para o estilo baseado na
música interior de cada integrante, sem se
preocupar com tendências ou modas emergentes.
Cada dia com a Pimenta é importante, mas a
transformação deve ser mútua.
Tudo que se aprende de bom é válido.
ANDRÉ:
Falar sobre a Pimenta é um pouco difícil,
pois dou a esse projeto um valor muito alto, e quase
sempre quando falamos de coisas profundas temos mais
dificuldade de falar sobre elas.
A Pimenta Buena tornou-se um projeto de vida, não
somente pelo lado profissional, e sim pela relação
humana que existe dentro dela. Valores; amizade; aprendizado
diário. A cada momento que me proponho a resolver
assuntos que envolvem o projeto, me deparo com conflitos
internos. Ego; orgulho; vontade; ansiedade; amor;
verdade; futuro; prosperidade. Isso é Pimenta
Buena para mim.
VICENTE:
O tal do groove realmente me cativa. O som que realmente
me excita perambula entre Hancock; Miles; Jamiroqüai;
e Björk. Não sei se eles têm ligações.
Mas com certeza nossas influências tornam-se
uma confusão como essa. Sorrio com Jaime Roos;
choro com Chico Buarque; desbundo com Joaquin Sabina.
A Pimenta Buena saca o show numa boa. Impressiono-me
com o requinte dos meus colegas músicos. A
grande busca do cantor e compositor é ter uma
banda à altura. Existe o matiz, que eu chamo
a maneira coesa de se harmonizar em quanto à
música. A Pimenta Buena respeita isso, ama
a música.
DEDÃO:
No começo quis introduzir o groove, estilo
musical que era recente em minha história,
e que o aprendi quando em Porto Alegre fiz música
com a banda Tara. O vocalista me conduzia a ensaiar
compactos inteiros de bandas como Molotov e Red Hot
com o intuito de me influenciar. Conseguiu o que queria,
embora anos depois formassem a extinta Nação
Suburbana. Ali comecei a fazer parceria com o nosso
batera Chiesa, depois o João.
Naquele então, continuamos dirigindo o trabalho
em volta do groove, slaps; arpejos velozes; aprimorando
nosso estilo.
Da minha parte houve rupturas na forma de tocar, por
me envolver com músicos como Glauco Solter,
um grande baixista paranaense.
A partir daí começa uma nova etapa.
Aprendo técnicas como slaps; familiarizo-me
com músicos tipo Pastorius e Miller; Davis
e Djavan. Começo a relacionar a intensidade
e marcação de um contrabaixo.
Quando escuto Sizão Machado, me deparo com
uma maneira sofisticada de tocar a música brasileira;
o samba; sons regionais. O cara só toca as
boas como já dizia Jobim.
Nessa linha de pensamento construí Carneavale.
Muitas pausas, idéias rítmicas que solem
ser percussivas.
Ouvi falar que
a banda custava a encontrar sua identidade, e talvez
isso fosse uma busca utópica fazendo com que
se transformasse no grande desafio para sua música,
falem sobre isso e sobre a expectativa de um público
remoto.
VICENTE:
Eu sempre cito Jamiroqüai como idéia ou
inspiração. Embora, quando discutimos
desse assunto, com freqüência, gosto de
me posicionar a favor do ecletismo, a variedade.
Acredito que a banda tem potencial para vários
estilos sem se casar com nenhum, podendo se divertir
sem criar uma identidade, que talvez seja essa. Groove
latino foi à expressão até agora
mais adequada. Como já disse, o caminho que
parece se apresentar é o do Funk. Tipo Ed.
Motta; Herbie Hancock; Stevie Wonder, sei lá,
um jeito muito brasileiro de ser também.
Sempre pensei num público intelecto. Há
uma camada da sociedade, muito eclética por
sinal, e de distantes faixas etárias, que se
comprime á proposta da Pimenta Buena. Ali nos
revivemos Stevie Wonder; fraseamos algum jazz progressivo
como Pastourius e Hancock; e cachimbamos com levadas
latinas lembrando Rada; Roos. Então essa dispersão
nos possibilita de encontrar adeptos por todas as
partes, providos de todas as almas. Tendo em vista
os meus trinta e dois anos contra os vinte e seis
do João, podemos acrescentar ou nos aproximar
do gosto de várias faixas etárias.

JOÃO: Deve-se procurar o caminho para
o estilo baseado na música interior de cada
integrante, sem se preocupar com tendências
ou modas emergentes.
Funkmacumbalatinjazzbossa.
Não acredito que não tenhamos uma identidade.
Quanto ao nosso estilo teria uma posição
certa ao escutar o produto definitivo do Cd. Uma fusão
de diversos estilos musicais.
ANDRÉ: Cada trabalho tem sua
particularidade. Mesmo com pouco tempo a banda tem
músicos entrosados há um outro certo
tempo. A identidade da banda fica expoente a vários
estilos, que se gravássemos um reggae saberiam
que é nosso; um blues. A linha de pensamento
é conjunta. É como uma senha de quatro
dígitos, difícil de copiar a uma de
dois.
DEDÃO:
No começo quis introduzir o groove, estilo
musical que era recente em minha história,
e que o aprendi quando em Porto Alegre fiz música
com a banda Tara. O vocalista me conduzia a ensaiar
compactos inteiros de bandas como Molotov e Red Hot
com o intuito de me influenciar. Conseguiu o que queria,
embora anos depois formassem a extinta Nação
Suburbana. Ali comecei a fazer parceria com o nosso
batera Chiesa, depois o João.
Naquele então, continuamos dirigindo o trabalho
em volta do groove, slaps; arpejos velozes; aprimorando
nosso estilo.
Da minha parte houve rupturas na forma de tocar, por
me envolver com músicos como Glauco Solter,
um grande baixista paranaense.
A partir daí começa uma nova etapa.
Aprendo técnicas como slaps; familiarizo-me
com músicos tipo Pastorius e Miller; Davis
e Djavan. Começo a relacionar a intensidade
e marcação de um contrabaixo.
Quando escuto Sizão Machado, me deparo com
uma maneira sofisticada de tocar a música brasileira;
o samba; sons regionais. O cara só toca as
boas como já dizia Jobim.
Nessa linha de pensamento construí Carneavale.
Muitas pausas, idéias rítmicas que solem
ser percussivas.
E visando esse futuro próspero que
a banda demonstra pela capacidade de seus shows aceitação
contínua do público, e ainda relevando
todas essas misturas o que imaginam produzir, por
onde andam esas idéias?

ANDRÉ: Gosto muito da mistura do velho
com o novo. Gotham Project, tango com eletrônico;
grooves e regionais, tipo Science; efeitos e tambores;
Ojos de Brujo, flamenco; deejays com scratch. Fariamos
nossa mescla.
DEDÃO:
Para a Pimenta buscaria um conhecimento profundo sobre
a música regional brasileira e a misturaria
com a música latina. É o que praticamente
fazemos. Gostaria de conhecer a teoria da música
Cubana e do Prata, Uruguai; Argentina.
VICENTE:
Numa prosperidade pretendo conspirar. Levar até
o público um pouco mais de arte. Saciar-nos
de informação. Sublevar-nos mediante
os limites do conhecimento...
Também recordo com alucinação
a fusão do paul Simom com Olodum. Uma grande
banda de ritmos e sensibilidade. Por suposto que acrescentaria
participações especiais de teclados;
percussão; sopros; e vozes.
Qual o melhor
show até agora? Embora saibamos que foram poucos.
VICENTE:
Particularmente gosto de show pequeno. Público
próximo, calor humano. A intensidade de um
palco apertado e o magnetismo das pessoas envolvidas
em transe com a nossa música é o que
realmente me excita. A partir daí, creio que
numa certa vez no Minifúndio, pude sentir tamanha
comoção.
ANDRÉ:
O melhor ainda não veio. Para mim até
agora o show da Cervejaria na Festa da Helô;
foi o mais representativo. Foi um choque. A partir
dali estaríamos começando adquirir outra
visão sobre o projeto.
Queremos descobri-los, e para isso seria interessante
imaginar um show ideal; um cenário; e ainda
tirar alguma outra carta da manga e falar sobre gostos
pessoais...
JOÃO:
Para mim não há o lugar especial como
cenário ou show. Qualquer um de grande porte
como festival nacional ou internacional. Quaisquer
dos shows que me completassem profissionalmente ao
lado da Pimenta.
Chico; Tom; Gismonti; Ojos de brujo; Brower, e vários
outros. Sempre é difícil citar um só
artista, por que cada momento tem sua particularidade,
e inclusive estou sempre variando o que escuto.
DEDÃO:
Existe um lugar em Curitiba que sempre imaginei um
show da Pimenta. É no Memorial que fica no
Largo da Ordem.
Seria um grande palco com uma disposição
de grandes escadas na frente que dariam a impressão
de um mezanino. Mil e oitocentas pessoas. Teria que
estar lotado para que o sonho fosse tal qual.
Existem diversas músicas que realmente me emocionam,
evidentemente para cada uma delas um sentimento.
Living Colour, “Love hears it’s ugly head”.
Mistura um blues soul do tipo Aretha Franklin com
um peso seco no groove. Uma melodia paranóica
do vocalista.
“Sem fantasia”. Do Chico com Bethânia.
Essa é dos momentos profundos com minha mãe,
música que escuta até hoje.
VICENTE:
Eu sou clássico, não adianta. Sempre
sonho com luzes brancas num fundo preto a alguma cor
sutil atravessando o palco. Um lilás. Ou simplesmente
trabalhar com uma sessão de luzes da mesma
cor, primárias. Para a pimenta gostaria de
um cenário sofisticado, impensável neste
momento, pois daria aos meus amigos Jader e Gê
um cheque em branco para que cuidassem dessa parte.
Agora não tenho nenhuma idéia excelente,
mas lembro de comentar o cenário do show do
Joaquin Sabina, que apenas projetava imagens antigas
em preto e branco atrás do palco.
Neste caso gosto também da idéia de
imagens; vídeos e fotos da própria banda.
Atualmente andei viajando em Pierre Verger e numa
temática vintage, não sei.
Se tivesse que escolher apenas um disco seria o filles
the kilimanjaro de Miles Davis. Agora, não
poderia deixar de citar os discos Groove Elation e
Hand Jive do John Scofield.
Para não ser redundante, adiciono Gilberto
Gil à minha lista de favoritos.
Também se sabe que a Pimenta se envolve
em projetos de cinema e literatura. Dentre estes universos
que caminham junto com a música, quais as previsões
e inquietudes da banda. Como seria o filme da vida
de cada um?
ANDRÉ:
Dependendo o momento da minha vida filmaria se adolescente,
com um groove forte de fundo, munido de letras de
protesto, pois não fui tão diferente
aos jovens que se espalham pelo mundo com suas mais
diversas manifestações. Hoje minha trilha
teria suspense; pensamento elevado; notas soltas;
letras românticas; inteligentes.
Talvez a idade e as novas experiências, como
o filho que espero, sejam responsáveis por
essas mudanças. O crescimento pessoal.
DEDÃO:
Gostaria de filmar um documentário em cima
de um motorhome. Durante uma viajem pela América
Latina. Viraria um seriado televisivo.
Produziria um bom dvd, com ênfase no visual;
na elegência do figurino e do cenário.
Tentamos faze-lo.
Tem um livro do Huxley, “O admirável
mundo novo” que me marcou muito. Li na faculdade
de publicidade, e é tipo do 1984 do Orwell,
prevê a decadência e a evolução
do mundo.
VICENTE: Minha cena, o filme da minha
vida. Seria durante um belo fim de tarde, com um sol
laranja, em volta aos meus, bebendo e celebrando.
Escutaríamos muito cool-jazz. Muita cor.
Sem dúvidas nenhuma La Hija de la Fortuna,
livro de cabeceira da Isabel Allende que me inspirou
para escrever a letra de uma das músicas do
nosso primeiro disco.
Sempre vemos a banda como um exemplo de trabalho
e dedicação. Poderiam falar sobre sua
relação musical e pessoal? Expectativas
e experiências.
VICENTE:
Prevaleceu a afinidade e o respeito de gente grande.
Os guris, a cada dia vão crescendo como verdadeiros
homens, mostrando compaixão; e admiração,
uns pelos outros. Respeito.
Escuta-se o trabalho de cada um, e se decide sempre
em prol da banda.
Eles têm me ensinado a limpar os espaços
da desordem. Sempre fui muito anarquista, então
para trabalhar em conjunto e ainda, construir música,
deve-se ter um capricho comportamental afinado. Por
outra parte, esse desprendimento com a realidade é
também necessário para a cara artística
da Pimenta, e aos poucos sei que tenho contagiado
o pessoal com este tipo de irreverência. Neles
o Yin; o Yan em mim.
Ficamos impressionados com as idéias de guitarras
do João. Uma das coisas que mais me encanta
do seu desempenho é a sutileza de seus arranjos.
Muito técnico; compassado; e ainda agressivo
quando preciso. Sempre fui desse tipo de instrumentistas;
Scofield e Mathney no jazz; Pass na bossa; e Collins
no blues, entre outros que souberam tocar e vibrar
as cordas da guitarra criando um magnetismo entre
o som e o tato.
Tem ensaios que poderiam virar disco. Torna-se indispensável
à gravação do ensaio.
JOÃO:
Cada dia com a Pimenta é importante, mas a
transformação deve ser mútua.
Tudo que se aprende de bom é válido.
DEDÃO:
De acordo com meu ânimo e meus conflitos internos.
Recentemente me vi desiludido e aprisionado numa trama
que não me fazia bem, me destruía, afetava
minha auto estima. Pensaria numa trilha triste. Um
momento de aprendizado de perdas e ganhos. E uma música
que esteve presente em muitos momentos da minha vida
foi “Se eu quiser falar com deus” do Gil.
Dádivas como essa, me fizeram dar conta que
a dor nos faz crescer, e para minha música
seria o melhor caminho, tornando-a mais otimista e
linda.
Com a Pimenta Buena recomecei a ver a vida de outros
modos.
ANDRÉ:
Cada trabalho tem sua particularidade. Mesmo
com pouco tempo a banda tem músicos entrosados
há um outro certo tempo. A identidade da banda
fica expoente a vários estilos, que se gravássemos
um reggae saberiam que é nosso; um blues. A
linha de pensamento é conjunta. Écomo
uma senha de quatro dígitos, difícil
de copiar a uma de dois.
Silêncio;
Pimenta; projetos; intuitos; independência.
Vamos fazer uma despedida eclética como a alma
da banda e massagear a mente dos inetrnautas e adeptos
a música pimentera com algumas colocações
que não poderiam ficar de fora desta entrevista.
Considerações finais.
JOÃO:
Gostaria de saber do público que visita
o site sobre as músicas.
ANDRÉ:
O silêncio para ouvir se na música para
discutir.
Gostaria de me envolver com todos os projetos que
envolvessem a Pimenta. Fotos; notas; site; vídeo
clipe...
DEDÃO:
Um excelente nome que o Vicente trazia na cabeça
há tempos. Pimenta Buena me chamava a atenção
pela sonoridade. Sempre gostei da sua proposta latina,
desde os tempos de bares. Com o decorrer desses tempos,
acabamos juntando as peças, feeling; liberdade
vocal; frases impecáveis. Por fim concretizamos
a “nossa” Pimenta Buena. O resultado dessa
mistura gerou uma banda com inúmeras possibilidades
de criação.
O mercado independente se expandiu com a revolução
da comunicação via internet. Em sites
como o youtube, podemos constatar a aceitação
e o acesso desse público específico,
que segue a banda, e aos poucos ajuda a expandir as
pretensões do projeto.
Vejo a banda com uma equipe bem arrumada. Desde a
produção de palco e bastidores à
acessória de imprensa e músicos extras,
como já é o caso do nosso programador
de efeitos que começa a arriscar alguns teclados
de fundo. Futuramente imagino um trabalho de percussão.
Almejo uma equipe técnica de revisão
de instrumentos assim como um equipamento de nível
e porte internacional.
O silêncio é uma nota que utilizo bastante
na minha vida musical, e acredito que a utilize na
pessoal.
Gostaria de saber qual mensagem chega até o
público. Da parte musical e intelectual.
Pelotas é uma cidade acessível para
morar. Transporte; economia; embora falte iniciativa
para a arte e outras atividades culturais.
VICENTE:
O silêncio. Essa determinação
na verdade não significa somente curtir a paz
do silêncio. Sei que nos referimos aos segundos,
espaços e compassos de cada música.
Remetemos-nos à superação, e
isso é uma condição que estou
aprendendo com eles, os músicos, e a partir
desse momento que entram essas notas, tipos de silêncio.
Cuido de grande parte de textos da Pimenta. Matérias
para imprensa; conteúdo para o site; literatura
de material gráfico como o interior do Cd;
etc. Dentro dessa atividade pretendo co-produzir o
roteiro do eventual documentário da Moviola
Filmes que toma às inquietudes da banda desde
o ano passado.
Junto ao André, que ajuda a cuidar da parte
visual, pretendo produzir algum vídeo clipe
independente. Assim como com a banda num todo, gravar
alguns trabalhos temáticos com ênfase
no tango, ou explorar ainda estilos eruditos, e misturá-los
com ritmos populares.
Também me interesso muito com as caixas eletrônicas,
e os efeitos de profundidade. Clima. Luz.
Ficamos impressionados com as idéias de guitarras
do João. Uma das coisas que mais me encanta
do seu desempenho é a sutileza de seus arranjos.
Muito técnico; compassado; e ainda agressivo
quando preciso. Sempre fui desse tipo de instrumentistas;
Scofield e Mathney no jazz; Pass na bossa; e Collins
no blues, entre outros que souberam tocar e vibrar
as cordas da guitarra criando um magnetismo entre
o som e o tato.
Ainda, preservo a vontade de se desprender dessas
alcunhas de música pop, e transcender sem lenço
e documentos, por outros ritmos que nos envolvam.
Justamente isso. Como os internautas ou adeptos vêem
a banda? Essa é a pergunta. Postura; estilo.
Ao que nos parecemos; quais as opiniões sobre
o nosso som e letras? O que todo músico gostaria
de saber.
O Dedão é um dos melhores baixistas
que já vi tocar. Imaginem só, faz parte
da nossa banda. Muitas vezes rouba a cena. Sabe tudo,
tento não subestima-lo. Sem mais palavras.
Penso que existem os que, como eu, sentem a música
como se uma heroína rompesse as veias e penetrasse
em todo nosso sangue. Durante os shows existem os
que mascam chiclete e cruzam os braços, assim
como os que fumam; bebem; e dançam freneticamente...
Pelotas é uma bela cidade de arquitetura colonial
com forte motivação para as artes.
Tem segurança e colide com os ares provincianos
que preserva desde suas mais belas épocas.
Vive-se entre gentes interessantes. Basta a cada um
perceber os valores de cada lugar.
A cada dia que passa vejo que este trabalho em conjunto,
envolvendo pessoas de alta prosperidade, tem trazido
resultados favoráveis à banda.
Nessa órbita não posso deixar de mencionar
nomes como o do Protásio, que tem sido nosso
técnico de som; mixagem; e co-produção;
motorista; amigo; entre outras funções
de risco. O Valder e o Grande Emerson da Nativu Desing,
que tem trabalhado com carinho nossa parte gráfica,
e por que não disser visual, e ainda nada mais
e nada menos que os responsáveis pela criação
da arte deste site, e do nosso primeiro Cd.
A todos que já citei. Moviola Filmes; Jader
e Ge; aos mais próximos...
O valor de uma vida não
é medido pelo tempo, e sim pelo uso que dele
se faz.